
Republicanos divulgou uma nota oficial neste domingo (12) para desmentir informações de que teria fechado apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A legenda também negou qualquer negociação envolvendo a indicação de seu presidente nacional, deputado federal Marcos Pereira (SP), para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) como condição para uma eventual aliança.
No comunicado, Marcos Pereira afirmou que não conversa com Flávio Bolsonaro "há mais de um mês" e classificou as tratativas entre as duas legendas como "inconclusivas". Segundo o dirigente, o Republicanos iniciou consultas às bancadas, executivas estaduais e demais lideranças para definir sua posição nas eleições de 2026, ressaltando que a decisão será tomada exclusivamente durante a convenção nacional do partido, em Brasília.
A legenda também fez questão de esclarecer que um eventual apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está "completamente descartado"
Pesquisa interna aponta dificuldades para Flávio Bolsonaro
Na mesma nota, Marcos Pereira revelou que uma pesquisa encomendada pelo Republicanos identificou um cenário pouco favorável à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
De acordo com o presidente da legenda, o levantamento mostrou um sentimento de frustração entre dirigentes e apoiadores em relação ao nome do senador, além de indicar preferência pela neutralidade do partido na disputa presidencial.
Segundo informações de integrantes do Republicanos, lideranças da sigla se reuniram em São Paulo durante o fim de semana e demonstraram forte insatisfação com especulações de que o apoio a Flávio já estaria definido.
Durante o encontro, foram apresentados dados de uma pesquisa interna que apontariam desgaste da imagem do bolsonarismo em diferentes regiões do país. O levantamento também indicaria que Flávio Bolsonaro é visto como um representante menos forte do legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro do que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Ainda segundo relatos de dirigentes, a pesquisa teria identificado impactos negativos provocados pelos atritos públicos entre Flávio e Michelle Bolsonaro, além das repercussões envolvendo sua relação com o empresário Daniel Vorcaro.
União Brasil e PP caminham para neutralidade
O cenário também se tornou mais difícil para Flávio Bolsonaro após a sinalização de que a federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil deverá adotar uma posição de neutralidade na eleição presidencial.
A tendência é que as duas legendas concedam liberdade para que seus diretórios estaduais decidam quais candidaturas apoiar em cada estado, levando em consideração as realidades políticas regionais.
A avaliação de dirigentes é que um apoio nacional ao senador do PL poderia prejudicar candidaturas locais, especialmente em estados do Nordeste, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém elevados índices de aprovação.
Caso a neutralidade seja confirmada, Flávio Bolsonaro enfrentará dificuldades para ampliar sua base de apoio além dos partidos tradicionalmente alinhados ao bolsonarismo.
Relação com aliados também sofreu desgaste
Nos bastidores, dirigentes do PP relatam que a relação entre Flávio Bolsonaro e a cúpula do partido se deteriorou após a operação da Polícia Federal que teve como alvo o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira.
Segundo integrantes da sigla, havia expectativa de uma manifestação pública de apoio por parte de Flávio, o que não aconteceu. O episódio esfriou as conversas sobre uma possível composição de chapa presidencial entre os dois.
Outro fator de desgaste foi a ausência de posicionamento do senador após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, conhecido como Waguinho Canella, aliado político investigado na Operação Unha e Carne.
PP de São Paulo deve seguir caminho diferente
Apesar da tendência nacional de neutralidade, o Progressistas de São Paulo avalia apoiar Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
A estratégia está ligada à eleição para o Senado. Dirigentes paulistas acreditam que o apoio do senador poderá fortalecer a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), na disputa por uma das duas vagas paulistas.
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