
Em vídeo publicado neste domingo, o deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD) resolveu quebrar o silêncio sobre os boatos de bastidores que circulam na política capixaba. Com o estilo direto e focado nas redes que o consagrou, o ex-prefeito de Colatina confrontou as especulações de que estaria prestes a reviver o trauma de 2022, quando foi impedido pelo seu antigo partido, o Republicanos, de disputar a única vaga ao Senado Federal.
Desta vez, contudo, a retórica de Meneguelli subiu um tom. Ele não aponta as baterias para o seu atual ninho, o PSD, mas sim para forças externas. “Esses mesmos personagens agora… tentam se unir para não deixarem eu ser candidato, unicamente porque eu tenho condições de ganhar”, disparou.
O ponto alto da fala de Meneguelli é a forma como ele blinda sua posição dentro do PSD. Ao citar nominalmente o presidente estadual da sigla, Renzo Vasconcelos, e o cacique nacional, Gilberto Kassab, garantindo que almoçou com as lideranças e recebeu a “palavra” deles, o deputado adota uma tática vacinal.
Ao carimbar os aliados como “homens sérios que não puxam tapete”, Meneguelli joga para a opinião pública o peso do compromisso. Se o partido mudar de ideia nas convenções, o ônus da “sacanagem” — termo usado pelo próprio deputado — cairá sobre a legenda.
O pragmatismo político, contudo, continua rondando. Para o PSD, Meneguelli na disputa para a Câmara Federal é o cenário dos sonhos para puxar uma bancada robusta de deputados. Para o Senado, a briga envolve arranjos majoritários complexos que passam pelo Palácio Anchieta e pelas alianças nacionais. Meneguelli sabe disso, e sua fala é um recado claro de que não aceitará o papel de “puxador de votos na Ales ou na Câmara” sem lutar.
Outro trunfo importante do discurso do colatinense é o resgate do sentimento regionalista. Ao cravar que “o norte do estado está há quase 50 anos sem eleger um senador”, Meneguelli mexe em uma ferida antiga da geopolítica capixaba: a sensação de que a Grande Vitória e o Sul concentram o poder majoritário.
Ao se colocar como o legítimo representante do Noroeste, ele tenta transformar sua pré-candidatura em um projeto regional, e não individual. É a busca pelo voto de opinião e pelo sentimento de pertencimento de uma fatia do eleitorado que se sente sub-representada em Brasília.
Meneguelli joga com as regras que conhece melhor: a pressão popular via redes sociais. Em 2022, o silêncio e a obediência partidária lhe custaram o Senado (embora tenham lhe rendido uma votação histórica para a Assembleia). Em 2026, ele avisa, logo na largada, que o roteiro terá que ser diferente. A conferir se a “palavra” empenhada no almoço partidário resistirá às tempestades das convenções de agosto.
Sensação
Vento
Umidade





